Em audiência pública realizada nesta segunda-feira (23) pela Comissão Permanente de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul apresentou o balanço dos investimentos em saúde referentes a 2025. De acordo com os dados oficiais, o Estado aplicou 12,27% da receita líquida no setor, superando em 0,27 ponto percentual o mínimo constitucional de 12%.
O montante total investido alcançou R$ 2.393.257.065,58 — cerca de R$ 52,6 milhões acima do piso obrigatório. A receita considerada para o cálculo foi de aproximadamente R$ 19,5 bilhões, o que fixaria o mínimo constitucional em torno de R$ 2,34 bilhões. Do total aplicado, 79% correspondem a recursos próprios do Estado, com complementação por repasses federais fundo a fundo, emendas parlamentares e convênios.
A apresentação foi conduzida pelo secretário de Saúde, Maurício Simões, acompanhado da equipe técnica da Secretaria de Estado de Saúde. A maior parcela dos investimentos foi destinada à Assistência Hospitalar e Ambulatorial, que recebeu R$ 1.705.614.498,36 — mais de 70% do total. Os recursos cobriram custeio hospitalar, atendimentos especializados e procedimentos de média e alta complexidade.
Um dos principais destaques foi o crescimento de 49% no número de internações na rede hospitalar própria do Estado nos últimos dois anos, passando de 39 mil para 58 mil internações. No mesmo período, os custos aumentaram 63%, saindo de R$ 23 milhões para R$ 61 milhões. Segundo o secretário, o avanço está ligado à consolidação da estrutura de atendimento nos hospitais regionais de Três Lagoas, Ponta Porã e Coxim, além da entrada em funcionamento do Hospital Regional de Dourados. Na unidade, o Hospital da Vida passou a contar com um tomógrafo avaliado em R$ 10 milhões.
Para 2026, estão assegurados R$ 15 milhões provenientes de emendas parlamentares destinados à aquisição de equipamentos, com o objetivo de ampliar a resolutividade das unidades hospitalares. Durante a audiência, a presidente do Hospital Regional, Marielle Alves Correa Esgalha, confirmou para o próximo dia 4 de março a assinatura do contrato de Parceria Público-Privada com a Construcap CCPS Engenharia e Comércio, da Nova Futura.
O principal investimento previsto na parceria é a construção de 215 novos leitos, ampliando a capacidade de internação de 362 para 577 leitos. A empresa também ficará responsável por serviços como limpeza hospitalar, coleta e tratamento de resíduos sólidos, recepção, vigilância, portaria, estacionamento, lavanderia e rouparia, necrotério e manutenção predial.
Na Atenção Básica, foram aplicados R$ 193.214.206,86, destinados às unidades básicas de saúde e às equipes da Estratégia Saúde da Família. Outras subfunções somaram R$ 222.275.894,20. O Suporte Profilático e Terapêutico recebeu R$ 87.724.382,84; a Vigilância Epidemiológica, R$ 75.506.699,40; e a Vigilância Sanitária, R$ 680.463,92.
O deputado Lucas de Lima, presidente da Comissão Permanente de Saúde, avaliou como positivo o resultado da audiência pública. Segundo ele, a apresentação trouxe “uma radiografia precisa” dos investimentos realizados e evidenciou o avanço na interiorização do atendimento de média e alta complexidade — estratégia considerada fundamental para reduzir a pressão sobre a rede hospitalar de Campo Grande.
A audiência teve como objetivo garantir transparência na aplicação dos recursos e apresentar um panorama financeiro e estrutural da saúde pública estadual, detalhando a distribuição dos investimentos e seus impactos na ampliação e qualificação da rede de atendimento.


